Publicado por: jairoportela | 8 \08\UTC setembro \08\UTC 2009

O Adeus

Composto em memória do primo, poeta, Helvécio:

Chora natureza, chora..
O Poeta que te amava
Nos deixou, foi embora…
A vida não suportava

Os anos pesavam tanto
Que o faziam sofrer…
A sua dor e seu pranto
Não o deixaram viver.

Vai sozinho para glória,
Comemorando a vitória
De aqui ter bem vivido…

Agora sem sofrimento,
Vai gozar cada momento
O descanso merecido.

Saudades do primo Jairo
30.08.2004

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Publicado por: jairoportela | 8 \08\UTC setembro \08\UTC 2009

Filhos

Cheguei a pensar um dia
Em dez filhos bem quietos
Que a casa encheria
De belos e ternos netos.

Em Sua sabedoria,
Nosso Deus onipotente,
Não me deu o que queria,
Deu-me um filho somente.

Mas veio a compensação,
Para esquecer o revés,
Dez filhos não tenho, não,
Mas o que tenho vale dez.

12.10.97

Publicado por: jairoportela | 8 \08\UTC setembro \08\UTC 2009

Salve, Betty

Graças damos ao Senhor,
Pelo filho que nos deu,
Gratos ainda Lhe somos
Pela filha que escolheu.

Pela mulher, pela mãe,
Pela esposa que é,
Pela serva consagrada,
Seu trabalho, sua fé.

Graças damos ao Senhor
Por sua dedicação,
Seu amor por nosso filho
E seu puro coração.

Te pedimos, meu Senhor,
Que sejam os filhos seus
O que ela foi p’ra nós,
E dedicados a Deus.

Que escolham com amor,
Para os anos que vem,
Seus companheiros corretos,
Sendo seus filhos também.

Neste teu aniversário,
Por todos os dons que tens,
Receba dos velhos pais
Calorosos parabéns.

Toda alegria do mundo
E toda felicidade,
É tudo que desejamos
Com carinho e com saudade.

15.12.1996

Publicado por: jairoportela | 8 \08\UTC setembro \08\UTC 2009

Não faço mais

Há muita coisa que fiz
Que não esqueço jamais!
Há muita coisa que quiz
Mas hoje não quero mais.

Já percorrí as campinas
E as áreas florestais,
Fui querido das meninas
Mas hoje eu não sou mais!

Já sentí necessidade
Dos carinhos maternais
Que me deixaram saudade,
Pois hoje não os tenho mais!

Já conversei noite inteira
Com uma moça ou rapaz
Mas hoje com a canseira
Eu não posso falar mais!

Não fui um namorador,
Não lutei contra rivais
Hoje tenho o meu amor
E eu não namoro mais.

Já troquei juras de amor
À sombra de cafezais
Não vejo coisa melhor
Mas hoje não troco mais.

Comí tudo todo o dia
Com apetite voraz
À gula satisfazia…
Mas hoje não como mais.

Do voleibol fui um lente,
E um craque bem capaz. ,
Mas hoje estou ciente
Que não posso jogar mais.

Já me perdí no sertão
Sem saber voltar atraz
Temendo a imensidão.
Em casa não temo mais!

Se hoje eu não consigo
Fazer o que sempre fiz
Tenho uma graça comigo:
Eu sou um velho feliz!

Se eu fiz e não mais faço,
E quiz o que não mereço,
Se ocupei outro espaço
Somente a Deus agradeço!

Pelas campinas sou grato,
Por pastos que percorrí,
Pela grama, pelo mato,
Pelo mundo em que viví.

Mas eu mesmo reconheço,
Que de tudo o que é meu,
O que eu mais agradeço
É a mulher que me deu.

Juntos nós envelhecemos,
Desfrutamos de alegria,
Juntos também sofremos,
Tudo como Deus queria.

Deus me deu outro tesouro,
Alvo dos meus afetos,
Valendo mais que o ouro:
O meu filho e meus netos.

Por tudo o que recebí,
E que me foi concedido,
Por tudo que eu viví,
A Deus sou agradecido!

Cada dia envelhecendo,
E cada dia, estou certo,
No fim da vida, vou vendo
A vida eterna mais perto

Aos que ficam, a lembrança,
De um velho que os amou,
Que se foi, mas a esperança
Para os seus ele deixou.

julho, 2002

Publicado por: jairoportela | 8 \08\UTC setembro \08\UTC 2009

Lucas (meu bisneto)

Eu te dou as boas vindas,
Aqui no mundo presente,
Pois estou muito contente
Contigo.

Realmente eu não consigo
No instante me expressar
Para a você desejar
Boa vinda.

Pois eu te desejo ainda,
No meio de todos nós,
Com teus pais e teus avós,
Felicidade.

Que Deus, com Sua bondade,
Te mostre o Seu caminho
Que trilharás de mansinho
Até o fim.

Naturalmente a mim
Não me verás nesta vida,
Pois já estou de partida
Para eternidade.

Levo comigo a saudade
D`uma vida bem vivida,
Que por Deus foi permitida
Viver.

Quero, ao meu bisneto dizer,
Mesmo sem tê-lo visto,
Que o amo e insisto
Em amá-lo.

Mas eu só posso espera-lo
Se Deus assim permitir.
Então o aguardo aqui
No lar.

Que nós podemos chamar
De meu, teu e do teu avô,
Que por enquanto o alugou
E mora.

E ele espera sem demora
Ver o seu neto, ligeiro,
Querendo ser o primeiro,
A beija-lo.

Sua avó quer abraça-lo,
E quer beija-lo, também.
Pois não existe ninguém
Que mais te queira.

Sendo uma avó verdadeira
E que trabalha, trabalha tanto,
Não esquece, no entanto,
O seu neto.

Por isso apelo direto,
Abrevia a tua vinda,
Para que possas ainda
Nos abraçar.

Desejamos te encontrar,
Eu, e também, tua bisavó.
Não desejamos ficar só
Com saudade.

Apesar da ansiedade
De logo estar contigo,
Na verdade eu te digo,
No momento.

É este o nosso pensamento,
Nós te amamos, asseguro,
Com todo amor, o mais puro,
Toda hora.

E Deus te abençoe agora,
E por toda a tua vida,
Pois ela é mui querida,
Por todos nós.

24.02.2009

Publicado por: jairoportela | 7 \07\UTC setembro \07\UTC 2009

Para o meu primeiro neto

DAVID

Sua mão
Na minha mão!
Mão pequenina,
Mão de criança,
Agora descansa
Na minha mão.

Mão inocente,
A esperança
De sua gente,
Que seu futuro
Seja feliz,
Seja contente,
Seja Seguro!

Senhor!…
Tu que és pleno
Em poder,
Sabedoria,
Justiça,
Amor!…
Tu que és
Misericórdia,
És Espírito,
És perdão;
Não consinta,
Oh, Senhor!
Que essa pequenina mão
De inocência palpável
E real,
Manipulando o destino
Despreze o bem
E abrace o mal.

Senhor!…
Que a mão dessa criança,
A mão desse menino,
Possa trazer esperança,
Amenizar o destino
Daqueles necessitados,
Famintos,
Desgraçados,
Desiludidos da sorte,
Que não conhecem a Tí
E marcham célere à morte!

Que essa mão,
Senhor!
Em lugar de uma arma,
Que assusta,
Fere e mata,
Que a família destroi
E ao semelhante maltrata,
Que use um bisturí,
Que salva,
Que constrói
Uma sociedade sã
Que alegre canta e rí…

Que use uma pena
Para espalhar verdades,
O Teu nome, exaltar,
A Tua palavra, expor,
Teu evangelho, honrar.

Que sua pena
Não minta,
Não destrua,
E sempre e sempre sinta
A real necessidade
De ajudar o próximo
E espargir felicidade!

Que a sua mão
Não levante
O copo maldito
Da cachaça…
Não consinta, Senhor!
Que a desgraça,
A embriaguês,
Cruzem seu caminho…
Eu te imploro, meu Deus!
Com humildade,
Com carinho,
Que o dono dessa mão
Seja sóbrio,
Siga o bem,
Que puro seja o seu coração,
E saiba agradecer
Por criares a sua mão!

Que a sua mão
Não acenda o lume
Nefasto do cigarro,
Esse infame costume
Que provoca o escarro,
As entranhas corroi,
Infesta o ambiente
E a vida destroi…

Que essa mão,
Empunhe a chama
Da liberdade de culto…
E, para aquele que clama
E anseia viver,
Saiba essa mão apontar
O verdadeiro Ser
Que dá guarida,
Ajuda o fraco
E lhe garante
Eterna vida.

Que a pequenina mão,
Do pequenino infante,
Não seja a que maltrata
Sob qualquer pretexto
E a qualquer instante, E magoa,
E fere,
E mata…

Seja essa mão,
Mão de criança,
Em próximo futuro
Verdadeira esperança
De quem tateia o escuro
À procura de mão amiga
Que o guie
Até ao pé da cruz,
E o entregue contente,
Nos braços de Jesus…

Que não seja esta mão
Aquela mão violenta,
Que anseia por vingança,
Que persegue,
Que atormenta!…

Seja sim, Senhor!
Aquela mão macia,
Que ajuda,
Que ampara
E acaricia.
Que espalha ternura
E distribui amor,
Amparando o fraco
E mitigando a dor…

Senhor!
Com humildade,
O teu servo cansado,
Chega a essa idade
Gozando do teu amor,
Privando do teu afeto;
E te implora, Senhor!
Atende a petição
Segura em TUA MÃO
A MÃOZINHA do meu NETO!

Junho, 1980

Publicado por: jairoportela | 7 \07\UTC setembro \07\UTC 2009

Netaria

Pela Graça do meu Deus
Eu não invejo ninguém.
Eu só tenho uma neta
Mas esta vale por cem.

(sem data)
——————————————
A Cachorrinha

Daniel, a cachorrinha
Que lhe deram de presente,
Dizem que é bonitinha
E vive sempre contente.

Tenha cuidado com ela,
Alise a sua cabeça,
Não puxe o rabo dela,
Dê comida, não esqueça.

Daniel, se Deus quiser,
Quando puder viajar,
Eu irei aí te ver,
Dar-te um beijo, te abraçar.

Provavelmente em 1987

—————————————

Para Darius

P’ra você, meu pequenino,
E que é o meu chodó,
Um beijo para o menino,
Do vovô e da vovó.

Vovô ama esta criança,
A vovó ama também,
Você é nossa esperança
E nós lhe queremos bem.

Ao vovô ame apertado
E a vovó com carinho
Aos dois seja afeiçoado
E p’ra todos bem bonzinho.

À mamãe, obediente,
Ao papai, imitador,
E gentil com toda a gente
Distribua o seu amor.

(sem data)

Publicado por: jairoportela | 7 \07\UTC setembro \07\UTC 2009

Escutando

Em uma roda de amigos estava um dia,
E cada qual contava com mui ardor
Todos os amores que em sua vida havia,
Querendo, todos eles, ser um conquistador.

O número de corações quebrantados
Como pétalas frágeis de uma flor,
Por esses D. Juans improvisados
Subia a um valor cada vez maior. .

Como é tolo o palrar da mocidade!
E com o coração repleto de saudade
O cálice da solidão bebiam co’amargor.

Não sabiam esses rapazes palradores
Que se somados todos seus amores
Não dariam a milésima parte do meu amor.

1948

Publicado por: jairoportela | 7 \07\UTC setembro \07\UTC 2009

Para a esposa amada

Duas Quadrinhas:

1. NÓS DOIS

Quando penso em nós dois
Me sinto assaz seguro,
Não há antes nem depois,
Nem passado, nem futuro.

1981

—————————————
2. Eu primeiro

Tudo que tenho é seu,
Amor, carinho, dinheiro…
Mas te não concedo o direito
De ir deste mundo primeiro.

—————————————-

Um Poema:

Ser um poeta, para dizer em rima
Quanto te amo, quando te quero e adoro
É o meu sonho! Olhando o céu acima,
A meu Senhor, inspiração imploro…

Oh! Dá-me forças para rimar sem medo
Os tortos versos que a Delei dedico.
O meu amor tão grande não é segredo;
Ajuda-me Senhor! Eu Te suplico.

Deixa-me fazer um verso lindo
De amor incomparável, amor infindo
Que não abriga desconfiança e dor.

Sem métrica seja esse meu verso,
Seja porém maior que o universo,
Seja tão grande quanto o meu amor.

Com o amor do teu Jairinho
Garanhuns, fevereiro de 1948.

Publicado por: jairoportela | 7 \07\UTC setembro \07\UTC 2009

Velhice

“Saiba, meu velho, ao envelhecer,
tudo em volta entardece”.

Começa-se tudo bem,
E até nos engrandece,
A vida, o bem supremo,
Quando a velhice aparece.

A seguir tudo se perde,
De tudo a gente esquece,
A lembrança se esvai
Quando a velhice aparece.

A mocidade se foi
Como se eu a temesse,
E fica tudo para atrás
Quando a velhice aparece

E cada cabelo branco
Em nada nos envaidece,
Contrabando do silêncio,
Quando a velhice aparece.

E as vezes não se sente
Cada ano que acontece,
Com este vêm as fraquezas
Quando a velhice aparece.

Pegados à esperança
De que nada sobreviesse,
São somente ilusões
Quando a velhice aparece.

Envelhecer é um drama,
Que se platéia tivesse
Pouco seriam os apláusos
Quando a velhice aparece.

É espetáculo público,
Estranho e que esquece
O povo a assistí-lo,
Quando a velhice aparece.

Tragicomédia impúdica
Que o mundo estabelece,
Humilhando todo homem,
Quando a velhice aparece

De tudo que a vida tem
E que de pronto oferece,
São as saudades imensas
Quando a velhice aparece.

Cortina da juventude
Sobre nossa vida desce,
Encobrindo esperanças
Quando a velhice aparece. 

É como primeiro lume,
Entre as frestas permanece,
Escapando só as trevas
Quando a velhice aparece.

Tímidas, belas paixões
Na mocidade se aquece,
Mas logo fogem as forças
Quando a velhice aparece

O rosado da primavera
Ligeiro vai e esmaece,
Leva consigo a alegria
Quando a velhice aparece

Sem direito a receber,
Se pedir você pudesse, 
Pois só lhe dão um sorriso
Quando a velhice aparece.

A cada ano que passa
Mais tempo se envelhece,
Não existe o ano novo
Quando a velhice aparece

Perde-se de vista a manhã
E nossa alma padece,
Fica o fosco do crepúsculo
Quando a velhice aparece.

As rimas fogem da mente,
Qual fogo que não aquece,
Ficam os versos com o poeta
Quando a velhice aparece

Das coisas boas da vida,
A saudade permanece
Ela não nos abandona
Quando a velhice aparece.

Doces e ternas lembranças
Que a gente não esquece
Ficarão dentro do peito.
Quando a velhice aparece!

04.01.2005

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